Universidade do Minho cria almofadas e colchões que previnem úlceras

Renato Povoas - Managing Partner Educação e Ensino, Têxtil 2012-01-24

Fonte: Agência Lusa

Um investigador da Universidade do Minho (UM) coordena um projeto que visa a criação de colchões, almofadas e coberturas “inteligentes” para prevenir o aparecimento de úlceras em pessoas com limitações motoras graves.

A ideia é que aqueles colchões, almofadas e coberturas sejam capazes de monitorizar a pressão, temperatura e humidade exercidas em zonas do corpo que estão permanentemente em contacto com superfícies de suporte. “O controlo destes parâmetros poderá lançar, quando necessário, um alerta que permitirá ao utilizador movimentar-se, sozinho ou com a ajuda de terceiros, evitando o desenvolvimento de uma ferida na pele”, explica Miguel Carvalho, coordenador do projeto e professor do Departamento de Engenharia Têxtil da UM.

A gama de produtos é destinada essencialmente aos indivíduos com limitações motoras graves que condicionam a sua deslocação, nomeadamente os idosos e pacientes acamados, os doentes sob efeitos de sedativos ou anestesia durante cirurgias prolongadas e pós-operatório, ou, ainda, aqueles que se deslocam em cadeiras de rodas.

“Na maioria das situações, este público tem alguma dificuldade em sentir determinadas regiões do corpo que se encontram em contacto com superfícies ou, então, não consegue mudar de posição regularmente, de forma autónoma, como o faria uma pessoa saudável de forma inconsciente”, refere Miguel Carvalho. Acrescenta que estas são circunstâncias favoráveis ao desenvolvimento de úlceras de pressão (UP), ou seja, lesões cutâneas que se produzem em consequência de uma falta de irrigação sanguínea ou de uma irritação da pele.

“Os gastos médios dedicados ao tratamento desta patologia são de seis mil euros por cada úlcera. Na União Europeia e nos EUA, a prevenção e o tratamento têm um custo anual superior a 36 mil milhões de euros”, diz Miguel Carvalho. Sublinha que é “cada vez mais importante” apostar nesta área de investigação, uma vez que a população idosa tende a aumentar, “o que terá um impacto económico crescente a médio e longo prazo”.